Quem fala em "apito amigo", mesmo que seja em tom de brincadeira, não passa de um imbecil. E dos grandes. Daqueles que não gosta e não entende de futebol. Como aquele moleque dono da bola na pelada de rua. Mesmo ruim de bola exige jogar com a camisa dez, e no ataque. Ou a molecada concorda ou ele amarra o beiço, leva a bola para casa e acaba com a diversão alheia. Esse cara gosta é de ver o time dele ganhar. Quando não ganha, lá vem ele com o beicinho amarrado inventando "apito amigo" dali, esquema acolá.
O árbitro de futebol é um ser humano. Sim, um legítimo representante da raça humana, cheia das falhas que todos nós moradores deste planetinha chinfrim do universo carregamos. Quando está em campo, com a responsabilidade de apitar uma partida, ele conta apenas com dois olhos e milésimos de segundo para tomar uma decisão. Ele não tem culpa das presepadas da CBF, da estrutura amadora da Comissão de Arbitragem ou dos desmandos e babaquices do STJD. E a imprensa talvez precise deixar essas coisas bem claras na hora de avaliar o trabalho dos homens do apito.
É uma tremenda covardia aplicar o julgamento dos replays, dos milhões de torcedores e das dezenas de câmeras com imagem 4K, HD ou sei lá o que em cima dos ombros de um único homem. O juiz de futebol sempre errou, desde que pisou num campo de futebol pela primeira vez. A diferença é que hoje um equívoco vira a terceira guerra mundial. Julgam o caráter, a honestidade, inventam esquemas mil. Mas, no fim das contas, tudo vai continuar como está, pois o homem do apito é isso, apenas um homem. Cheio das falhas que todos nós legítimos representantes da raça humana carregamos.
Iludidos são aqueles que pensam que a tecnologia, os computadores e os robôs fariam melhor. Não fariam porque não conhecem a malandragem da bola, não manjam da catimba, dos paranauês, das fintas, das provocações. Computador é máquina e não entende a bola. As televisões e suas transmissões cheias de linhas de impedimento milimétricas e inúteis comentaristas de arbitragem só tornam as coisas mais sem graça. Estes comentaristas que, aliás, que apitavam tão mal ou até pior que os que estão no campo hoje.
É possível ganhar um jogo por conta de algum erro do juiz, mas não se ganha campeonatos no apito. Campeonatos são ganhos na bola, na raça, na inteligência, na disciplina e na determinação. Aquele que, em suas teorias da conspiração, defende o contrário, deveria acompanhar outro esporte. Quem sabe o vôlei, onde fica cada um do seu lado e ninguém encosta em ninguém. Futebol é jogo de contato, é jogo de quem tem garrafa vazia pra vender. Quem não aguenta vai chorar na cama que é lugar quente. Espera a próxima temporada, o próximo campeonato. Se prepara melhor para vencer com bola na rede. Porque quem ganha teta com chororô é só criança de colo.

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