Há momentos em que o mais inspirado escritor trava. Não encontra as palavras certas para expressar o que quer. Procura nos caminhos do dicionário estruturas perfeitas para conseguir dizer o que sente, mesmo sabendo que é praticamente impossível.
A tragédia que vitimou o avião que levava o time da Chapecoense me fez calar. Em meio ao turbilhão de textinhos e textões dos sites, jornais, revistas e redes sociais, este blog fez silêncio. Um silêncio doído de quem chorava por dentro.
Não achei justo escrever qualquer coisa no calor do momento, correndo o risco de tropeçar na emoção que estava à flor da pele.
Uma perda de talentos, esperanças, vidas, sonhos, conquistas, tanta coisa impossível de colocar em palavras. Impossível de medir. Profissionais que eu acompanhava e admirava e que partiram de repente, da forma mais difícil de aceitar.
Em meio a toda dor, as demonstrações de solidariedade surpreenderam. Jogadores, comissão técnica e torcedores do Atlético Nacional de Medellín deram a taça da Copa Sul-Americana para a Chapecoense.
Provaram que o futebol é só um esporte. Que apesar de toda emoção, paixão e loucura envolvidas, as vidas humanas valem muito mais. Não tem preço que pague.
Por todo o mundo, equipes, personalidades de dentro e de fora do futebol deram declarações e fizeram lindas homenagens. De repente, Chapecó virou o centro do planeta.
Torcidas organizadas dos quatro grandes de São Paulo se uniram para homenagear a Chapecoense e prometeram o início de uma Era de paz nos estádios paulistas. Quem dera outros rivais pelo Brasil façam o mesmo. Porque o futebol nacional não aguenta mais a violência.
A esperança em todos nós que amamos o futebol quer que seja assim. Que nenhum jovem morra mais espancado nas ruas por causa de uma camisa de time. Que as famílias possam ir ao estádio sem medo.
Que não se repitam mais os espetáculos de vandalismo e violência, as brigas entre polícia e torcedores, os encontros marcados pela internet.
Que a tragédia marcante que aconteceu na Colômbia sirva ao menos para plantar um pouquinho mais de consciência na cabeça dos brasileiros.
A esperança brota mesmo nos cantos mais escuros e nos momentos mais dolorosos. Quem sabe então se este momento de comoção nacional não nos ensine um pouquinho mais sobre solidariedade.
Se for assim, ao menos ficará um pouco menos doído.

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