O Campeonato Brasileiro de 2016 foi vencido pelo Palmeiras de forma incontestável. Conquista justa sobre a qual não paira nenhuma dúvida. Após a vitória, porém, os mesmos críticos que arreavam o pau nos dirigentes palmeirenses por conta dos fracassos em anos anteriores passaram a venerar o Palmeiras como exemplo de gestão, coisa que o clube não é.
Não existe aqui qualquer tentativa de diminuir a conquista do Verdão. O fato é que não há um só clube brasileiro que possa ser apontado como exemplo de gestão. No Brasil, talvez mais que em qualquer outro país do mundo, a vitória tudo apaga, faz esquecer os maiores tropeços, os erros e descaminhos da trajetória. Quando o título vem, o resto fica para trás.
Analisando a gestão do elenco palmeirense apenas no quadriênio 2013-2016, durante o período de Paulo Nobre, chega-se ao inacreditável número de 76 contratações. Uma média de 19 novos jogadores a cada ano... DEZENOVE! Um time inteiro mais o banco de reservas completo a cada nova temporada.
Enquanto uma claque de boçais venerava o Palmeiras como um clube com poderio financeiro inalcançável e com estratégias imbatíveis no quesito negociações, os números deixaram bem claro que o planejamento de elenco não existia dentro do Palestra Itália.
Nomes como os dos volantes Charles, Washington e Léo Gago; dos meias Régis, Ryder Mattos e Rondinelly e dos atacantes Serginho e Rodolfo são alguns que poucas saudades deixaram na torcida alviverde. A lista de técnicos, embora mais modesta, amplifica a conclusão de que a bússola palmeirense estava desorientada. Foram seis técnicos em quatro anos: Gílson Kleina, Ricardo Gareca, Dorival Júnior, Oswaldo de Oliveira, Marcelo Oliveira e Cuca.
Enquanto uma claque de boçais venerava o Palmeiras como um clube com poderio financeiro inalcançável e com estratégias imbatíveis no quesito negociações, os números deixaram bem claro que o planejamento de elenco não existia dentro do Palestra Itália.
Nomes como os dos volantes Charles, Washington e Léo Gago; dos meias Régis, Ryder Mattos e Rondinelly e dos atacantes Serginho e Rodolfo são alguns que poucas saudades deixaram na torcida alviverde. A lista de técnicos, embora mais modesta, amplifica a conclusão de que a bússola palmeirense estava desorientada. Foram seis técnicos em quatro anos: Gílson Kleina, Ricardo Gareca, Dorival Júnior, Oswaldo de Oliveira, Marcelo Oliveira e Cuca.
Em termos de gestão financeira, não é segredo para ninguém que o presidente andou enfiando a mão nos bolsos sem cerimônia para tirar o nome do clube do SPC. Há quem diga que os valores cedidos por Paulo Nobre ao clube ultrapassam os 150 milhões de reais. Isto posto, chega-se facilmente à conclusão de que foi o dinheiro do mandatário que equilibrou as contas palmeirenses e não a competência do departamento financeiro do clube.
Sobre o milionário patrocínio da Crefisa, como dar crédito ao marketing palmeirense se os donos da empresa são torcedores do clube e fecharam negócios irreais para o cenário futebolístico atual brasileiro mais por amor à camisa do que em busca de retorno financeiro, como faz qualquer outro patrocinador?
Aliás, o que ganha a empresa Crefisa ao patrocinar o Palmeiras? Qual é o tamanho do prejuízo que este patrocínio tem trazido ao mercado de marketing do futebol? O "padroeiro" palmeirense causa danos ao futebol brasileiro na medida em que outros possíveis investidores permanecem longe do futebol enquanto há quem aposte no esporte por pura motivação emocional, deixando de lado a parte profissional.
O aporte gordo de dinheiro (tanto do presidente quanto dos apaixonados patrocinadores) juntou-se à chegada de um técnico competente e aí, somente aí, o resultado se refletiu dentro de campo. Cuca foi o responsável pela filtragem do elenco, mandando passear quem não servia e tornando o elenco palestrino mais homogêneo e qualificado.
Por conta disso, o Palmeiras entra em 2017 acertando uns parafusos aqui e outros acolá e melhorando o grupo com reforços pontuais como Felipe Melo. Neste ano não haverá dezenas de contratações, dispensas e empréstimos. No cenário falido do futebol brasileiro, cada clube se vira como pode e tira grana de onde dá. E o Palmeiras é mais um grande clube que busca destaque como pode.
Por conta disso, o Palmeiras entra em 2017 acertando uns parafusos aqui e outros acolá e melhorando o grupo com reforços pontuais como Felipe Melo. Neste ano não haverá dezenas de contratações, dispensas e empréstimos. No cenário falido do futebol brasileiro, cada clube se vira como pode e tira grana de onde dá. E o Palmeiras é mais um grande clube que busca destaque como pode.
Cabe a quem analisa o futebol saber separar a vitória dentro de campo da competência em setores administrativos e estratégicos da gestão. Vencer não pode encobrir os erros, assim como perder não pode encobrir eventuais acertos.
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| O Palmeiras/Parmalat campeão brasileiro de 1994 |
O mesmo aconteceu com a maioria dos outros clubes grandes nacionais durante períodos de conquistas. O São Paulo de 2005-2009, o Santos de 2011, o Corinthians de 2009-2013 e o próprio Palmeiras do final da década de 1990, sob a égide da Parmalat; foram apontados inequívocamente como clubes com gestão moderna e exemplar. Passadas as Eras de glórias, no entanto, a dura realidade se apresentou a todos.
O jornalismo esportivo precisa ser mais consciente e deixar de tratar o torcedor como idiota. Abandonar o pretenso humorismo e tratar alguns temas com mais seriedade. O Palmeiras hoje é a melhor equipe do Brasil dentro de campo, mas não é exemplo de gestão para ninguém.


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