Rogério Ceni de corpo, alma e coração no São Paulo

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Não há dúvidas de que a contratação mais surpreendente do futebol brasileiro foi a chegada de Rogério Ceni para o cargo de técnico do São Paulo. Quase um ano após pendurar as chuteiras, o ídolo tricolor assume o comando do time. Há muitos questionamentos pendentes sobre este "novo" personagem do futebol paulista. Questões que serão respondidas conforme a carruagem são-paulina caminhe na temporada 2017.


Treinador profissional ou treinador do São Paulo?


Para mim não ficou claro exatamente o que Rogério Ceni pretende neste novo desafio de sua vida. Tornou-se um técnico profissional (que hoje está no São Paulo e amanhã pode estar no Figueirense, Vitória, Palmeiras, Náutico ou Portuguesa) ou tornou-se técnico do Tricolor Paulista, exclusivamente.

Rogério viveu toda a carreira profissional no Morumbi, ama o São Paulo Futebol Clube e nunca escondeu de ninguém que sempre quis continuar trabalhando no clube após pendurar as chuteiras. Agora que passou a vidraça, ficou a curiosidade de saber o que fará caso a trajetória como técnico não dê frutos no clube de coração.


Momento certo?


Alguns analistas entendem que Rogério está no lugar certo na hora errada. O ex-goleiro tem a dose certa de experiência, zelo e amor pelo Tricolor Paulista. Viveu este clube durante toda a espetacular carreira que construiu e tem razão de querer estar onde está hoje. Há quem diga que o sonho dele é ser presidente um dia. Quem seria mais talhado a comandar o time do que ele?

No futebol, contudo, não há moral que dure quando os resultados não aparecem. Haja vista o recente exemplo de Paulo Roberto Falcão no rebaixado Internacional. A meu ver, o principal desafio de Ceni será fazer a equipe são-paulina animar a torcida. Caso consiga, mesmo sem conquistar títulos em um primeiro momento, terá chances maiores de prosseguir o trabalho do que qualquer outro profissional, pois a torcida o enxerga, antes de tudo, como um são-paulino.

Obviamente que tão pouco tempo após encerrar a carreira, Rogério não tem o preparo ideal para trabalhar como técnico (todos aqueles cursos nacionais e internacionais, estágios com outros profissionais e etc). Em determinados momentos pode faltar um pouco de conhecimento ou experiência. Mas no futebol, as vitórias esconderão qualquer coisa. Mas pensando bem, qual é o momento certo de se fazer alguma coisa senão aquele em que se começa?


Concepções Táticas


Desde os primeiros treinos, mesmo antes de assumir o time, já dava para imaginar alguns traços do que pretende o novo técnico do São Paulo. Prezará pela intensidade ofensiva, adiantando as linhas do seu time, buscando sufocar os adversários, provocar erros e pressionar em busca do gol.

Nos primeiros treinos em 2017, vimos um Rogério decidido, exigente, dedicado afim de dar uma fisionomia à equipe o mais rápido possível. Ele sabe que antes de qualquer coisa precisa conquistar vitórias.

Caso seja mesmo essa a "cara" do time de Ceni, será interessante ver o São Paulo jogar em meio a um mar de times que morrem de medo de tomar gol e povoam as escalações com excesso de zagueiros e volantes. Seria um tempero a mais no futebol nacional que pode valer a pena saborear.


Auxiliares Estrangeiros


Causou estranheza o fato de que Ceni nomeou dois auxiliares estrangeiros para acompanha-lo no comando do time. Um francês e um inglês. Uma atitude que por um lado pode ser considerada inovadora e por outro, um tiro no pé.

Inovadora porque o futebol brasileiro não é casa hospitaleira para profissionais estrangeiros, principalmente em comissão técnica. Ao longo da história, pouquíssimos são os exemplos de forasteiros que se deram bem por aqui. Mesmo aqueles que obtiveram sucesso e reconhecimento em território nacional eram em absoluta maioria sul-americanos.

O tiro pode sair pela culatra essencialmente no dia a dia, no cotidiano de treinos, jogos, convivência, concentrações, pressão de torcida e imprensa. Os europeus, embora acostumados com o ambiente futebolístico, não estão habituados com o jeito de ser brasileiro. Aqui a cuíca canta diferente, e se os gringos atravessarem o samba tricolor, eles podem ser os primeiros a dançar

O que esperar?


Não haverá mais a presença da camisa 01 debaixo das traves são-paulinas. As defesas milagrosas, os gols de falta ou pênalti, a orientação certeira e a liderança junto aos companheiros no campo. Agora Rogério Ceni é mais responsável pelo time do que era quando goleiro. Caberá a ele as principais decisões em planejamento, esquema tático, estratégia de jogo.

Prever resultados neste momento da temporada é puro achismo. Mas pelo carinho que possui do clube, qualquer situação negativa certamente será vista com muito mais paciência. Aos dirigentes sobrará a enorme tarefa de avaliar o trabalho do novo treinador com equilíbrio, deixando um pouco de lado a idolatria pelo personagem e pensando no que é melhor para o São Paulo.

Para o torcedor tricolor, que nutre grandíssimo respeito e admiração por Ceni, há motivos para otimismo e confiança. Eles sabem que, no mínimo, o São Paulo terá no banco de reservas um técnico inteiramente comprometido com o clube. De corpo, alma e coração. E isso não é pouco.

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