Zagueiro se destacou por honestidade enquanto atacante mostrou consciência social, algo muito mais necessário nos tempos atuais
O mundo do futebol brasileiro ficou encantado com postura de Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo. Domingo, o atleta Tricolor assumiu que havia sido ele, e não o atacante corintiano Jô, quem havia pisado na perna do goleiro Renan Ribeiro, em lance ocorrido aos 39 minutos do primeiro tempo do clássico entre São Paulo e Corinthians, pela primeira semifinal do Campeonato Paulista. Àquela altura da partida, o São Paulo já perdia o jogo.
Após o término do confronto, o lance e a atitude de Rodrigo Caio tiveram até mais mídia do que a vitória corintiana. Repórteres, comentaristas, apresentadores se debruçaram em elogios melosos ao atleta. Curiosamente, os mesmos que não deram a menor importância quando o atacante Keno, do Palmeiras, apontou para o corintiano Gabriel, com a claríssima intenção de ludibriar a arbitragem, causando a equivocada expulsão do volante alvinegro durante o último derby na Arena Corinthians, em 22/02.
A atitude do defensor são-paulino de assumir imediatamente a culpa no lance fez com que o árbitro do jogo, Luís Flávio de Oliveira, retirasse o cartão amarelo que havia aplicado a Jô (advertência que suspenderia o corintiano do jogo de volta). Rodrigo Caio foi fantástico, foi honesto, teve Fair Play, é exemplo sim, e além de aplaudir alguém que teve uma atitude correta (que deveria ser vista como absolutamente normal), vou apoiar a consciência de outro atleta, o jovem atacante corintiano Léo Jabá.
Passou desapercebido por muitos o comentário do camisa 37 alvinegro no último dia 29/03, após a partida contra o Linense, quando anotou o primeiro gol como profissional do Corinthians. Perguntado sobre a pressão de atuar na Timão e na Arena Corinthians lotada, Léo afirmou que pressão de verdade é a do o pai de família. Que sai de casa cedinho e não sabe se vai voltar para casa com o alimento dos filhos. Algo que é raro em um ambiente de profissionais que ganham centenas de milhares de reais num país de miseráveis, empresários gananciosos e dirigentes puxa-saco.
Aplaudir Rodrigo Caio é necessário em país onde bandidos de terno e gravata fazem leis, governam e julgam nas mais altas cortes. Ser honesto no país do "levar vantagem em tudo" parece coisa de outro mundo. Por conta disso frequentemente surgem brasileiros de origem simples pela mídia como símbolo da honestidade. Porque devolveu alguma bolsa cheia de dinheiro, celular ou carteira perdida. Mas o que Léo Jabá demonstrou é algo mais importante.
A consciência de saber que vive em um país de 200 milhões de habitantes, onde a esmagadora maioria trabalha de sol a sol em troca misérias que mal dão para por o pão na mesa. Algo que falta a grande parcela dos cidadãos. Exatamente por isso somos governados por bandidos, enganados por uma imprensa mentirosa e manipuladora, extorquidos por impostos absurdos e bancos com lucros pornográficos. A consciência social, que Léo Jabá atirou na nossa cara. falta à maior parcela da população brasileira na hora de tomar partido contra a horda de salafrários que anda destruindo a soberania nacional embaixo dos nossos narizes.

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