Análises baseadas em resultado, memes e cartola tratam o torcedor como imbecil e promovem erros de avaliação
Dia desses, um amigo perguntou como era possível o Corinthians, com Romero no ataque, estar na liderança do Brasileirão. Fiz ele arregalar os olhos ao afirmar que qualquer torcedor gostaria de ter um jogador como o paraguaio no próprio time. Assustei-o ainda mais dizendo que a boa fase do Corinthians para mim não foi surpresa alguma. A tal "quarta força" que está jogando atualmente o melhor futebol de São Paulo surpreendeu a muitos como o meu amigo. Principalmente aqueles que levam mais a sério as vozes das redes sociais e dos pastiches esportivos da TV e deixam de lado o que acontece dentro do campo de jogo.
Não quero aqui dizer que o Corinthians é o melhor time do Brasil ou que Romero é um craque. Apenas que é preciso maior cuidado e respeito com os profissionais para analisar o futebol. Bato na mesma tecla há anos. Jogadores e técnicos de futebol são trabalhadores dedicados, que treinam todos os dias, passam a maior parte do ano longe de casa e da família em viagens e concentrações estressantes. Merecem no mínimo um pouco mais de respeito. Pouco importa o quanto ganham ou deixam de ganhar. Quem deve cobrar atleta por pouca produção é o clube, que paga o salário. Jornalista não deve fazer "bico" no RH do clube cobrando custo-benefício de atleta.
Estou longe também de afirmar que esse tipo de distorção da informação acontece somente com o Corinthians. Flamengo e Palmeiras, por exemplo, tidos quase que como unanimidade como os times mais fortes do Brasil no início do ano, hoje enfrentam crises e derrotas antes inimagináveis para muitos. Derrotas que não são surpresa para quem observou a trajetória destes dois times nesta temporada. Ambos sem organização tática, com elencos ricos em qualidade mas fracos em equilíbrio e diretorias acovardadas.
O Palmeiras, praticamente "alugado" a empresários da Crefisa/FAM, despejou dinheiro no mercado contratando jogadores sem critério e formando um elenco cheio de qualidade mas sem identidade. Foi alçado por grande parte da imprensa à condição de bicho papão do mercado e o time a ser batido. Alguns até chegaram ao extremo de apelidar o time de "Real Madrid das Américas". Poucas foram as reflexões acerca da efetividade das contratações para a formação de um time equilibrado e forte. Ou seja, característica de jogador, filosofia tática, calendário de competições, balanço no uso de titulares e reservas, por exemplo.
Já o Flamengo sofre há muitos anos com diretorias acovardadas, que cedem facilmente à pressão de torcedores, e isso não é novidade para quem acompanha o clube. Atletas são queimados rotineiramente, contratações são alavancadas sem critério algum e técnicos são trocados após derrotas difíceis de engolir quando a torcida grita mais forte. Muito difícil um clube enorme como o rubro-negro carioca formar uma grande e sólida equipe nestas condições. É preciso pulso firme para dar respaldo aos atletas e permitir que o técnico tenha tempo para desenvolver um time vencedor.
No futebol, como se sabe, tudo pode acontecer. Corinthians e Grêmio, equipes que hoje estão apresentando um bom jogo e destaque, podem sofrer com contusões, transferências e suspensões e cair de nível. Assim como Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro podem engrenar durante o andamento do Brasileirão. De qualquer forma, porém, é preciso mais seriedade àqueles que tem como responsabilidade informar ao torcedor. Análises apaixonadas cabem apenas àqueles que se sentam nas arquibancadas, não é o papel do jornalista esportivo.
Dia desses, um amigo perguntou como era possível o Corinthians, com Romero no ataque, estar na liderança do Brasileirão. Fiz ele arregalar os olhos ao afirmar que qualquer torcedor gostaria de ter um jogador como o paraguaio no próprio time. Assustei-o ainda mais dizendo que a boa fase do Corinthians para mim não foi surpresa alguma. A tal "quarta força" que está jogando atualmente o melhor futebol de São Paulo surpreendeu a muitos como o meu amigo. Principalmente aqueles que levam mais a sério as vozes das redes sociais e dos pastiches esportivos da TV e deixam de lado o que acontece dentro do campo de jogo.
A legião de "comentaristas de cartola" e de "analistas de meme" é cada vez maior. Mesmo alguns dos ex-atletas que viraram comentaristas tem optado por valorizar fortemente o lado lúdico do cenário futebolístico nacional. Obviamente que não são todos, há gente séria, assim como ex-atletas que se tornaram grandes comentaristas como Edmundo, Juninho Pernambucano e o saudoso Mário Sérgio, mas infelizmente são minoria. Muitas vezes, o espectador que gosta, entende de futebol e quer informação e análise de qualidade, se sente tratado como idiota com o baixo nível de algumas coberturas.
Dizem que futebol é momento. Talvez até seja para efeito, por exemplo, de convocações para a Seleção Brasileira. Para avaliar o desempenho e a capacidade de um time, de jogadores e profissionais, o momento não serve. Não se cria um time vencedor em curto prazo. É preciso observar um trabalho desde o início, as decisões táticas e técnicas, o comportamento do coletivo em todos os jogos, o planejamento da gestão. Para quem só analisa o resultado dos jogos, fica fácil elevar quem está em um bom momento e criticar quem está mal.
O Corinthians mostrava na estreia da temporada, na Florida Cup, nos Estados Unidos, sinais da organização defensiva que evoluiu durante o Campeonato Paulista, resultou no título e que hoje já leva o time a 18 jogos sem perder. O elenco foi tachado como fraco. A quarta força do futebol paulista como diziam. Outros, no auge da loucura e babando, anunciavam que o time de Pq. S. Jorge iria brigar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas isso com base em que? Apenas por avaliações de nomes. Só que nome não joga.
Analisando o elenco corintiano dá para perceber que há qualidade. A comissão técnica foi inteligente ao mesclar atletas que já demonstraram capacidade para atuar em alto nível durante a carreira como Cássio, Fágner, Balbuena, Pablo, Gabriel, Jadson, Camacho, Felipe Bastos, Rodriguinho, Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel; com jovens da base com potencial como Pedro Henrique, Guilherme Arana, Maycon, Pedrinho, Léo Jabá e Carlinhos. Um elenco ajustado à filosofia tática que o Corinthians segue e com boas opções para todas as posições. Era possível enxergar isso no início do ano, mas muitos preferiram o caminho da crítica fácil, barata e vagabunda.
O trabalho de Fábio Carille à frente do Timão é irrepreensível até aqui. Ganhou a confiança do grupo de atletas, trabalhou fortemente com ênfase na parte tática para combater o principal problema do time no ano passado: a falta de organização. A diretoria corintiana, que em 2016 cometeu vários equívocos, neste ano deu ao técnico um elenco em condições de competir de igual para igual com qualquer time do Brasil. Não um grupo recheado de craques ou contratações de impacto, mas um conjunto de contratações pensadas com inteligência para suprir o que a equipe precisava.
Dizem que futebol é momento. Talvez até seja para efeito, por exemplo, de convocações para a Seleção Brasileira. Para avaliar o desempenho e a capacidade de um time, de jogadores e profissionais, o momento não serve. Não se cria um time vencedor em curto prazo. É preciso observar um trabalho desde o início, as decisões táticas e técnicas, o comportamento do coletivo em todos os jogos, o planejamento da gestão. Para quem só analisa o resultado dos jogos, fica fácil elevar quem está em um bom momento e criticar quem está mal.
O Corinthians mostrava na estreia da temporada, na Florida Cup, nos Estados Unidos, sinais da organização defensiva que evoluiu durante o Campeonato Paulista, resultou no título e que hoje já leva o time a 18 jogos sem perder. O elenco foi tachado como fraco. A quarta força do futebol paulista como diziam. Outros, no auge da loucura e babando, anunciavam que o time de Pq. S. Jorge iria brigar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas isso com base em que? Apenas por avaliações de nomes. Só que nome não joga.
Analisando o elenco corintiano dá para perceber que há qualidade. A comissão técnica foi inteligente ao mesclar atletas que já demonstraram capacidade para atuar em alto nível durante a carreira como Cássio, Fágner, Balbuena, Pablo, Gabriel, Jadson, Camacho, Felipe Bastos, Rodriguinho, Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel; com jovens da base com potencial como Pedro Henrique, Guilherme Arana, Maycon, Pedrinho, Léo Jabá e Carlinhos. Um elenco ajustado à filosofia tática que o Corinthians segue e com boas opções para todas as posições. Era possível enxergar isso no início do ano, mas muitos preferiram o caminho da crítica fácil, barata e vagabunda.
O trabalho de Fábio Carille à frente do Timão é irrepreensível até aqui. Ganhou a confiança do grupo de atletas, trabalhou fortemente com ênfase na parte tática para combater o principal problema do time no ano passado: a falta de organização. A diretoria corintiana, que em 2016 cometeu vários equívocos, neste ano deu ao técnico um elenco em condições de competir de igual para igual com qualquer time do Brasil. Não um grupo recheado de craques ou contratações de impacto, mas um conjunto de contratações pensadas com inteligência para suprir o que a equipe precisava.
Ángel Romero, jovem atacante paraguaio, é o maior exemplo da falta de critério para analisar o futebol vista em muitos veículos hoje. Ele nunca foi unanimidade dentro da torcida corintiana, mas nunca foi grosso. Tem lá deficiências técnicas como vários outros atletas. Mas é dono de uma disposição impressionante. Se dedica em cada minuto que está em campo. É um jogador versátil e inteligente taticamente e tem uma importância enorme para o coletivo do Corinthians. Porém alguns ainda o tratam apenas como um jogador fraco tecnicamente, coisa que ele não é.
Estou longe também de afirmar que esse tipo de distorção da informação acontece somente com o Corinthians. Flamengo e Palmeiras, por exemplo, tidos quase que como unanimidade como os times mais fortes do Brasil no início do ano, hoje enfrentam crises e derrotas antes inimagináveis para muitos. Derrotas que não são surpresa para quem observou a trajetória destes dois times nesta temporada. Ambos sem organização tática, com elencos ricos em qualidade mas fracos em equilíbrio e diretorias acovardadas.
O Palmeiras, praticamente "alugado" a empresários da Crefisa/FAM, despejou dinheiro no mercado contratando jogadores sem critério e formando um elenco cheio de qualidade mas sem identidade. Foi alçado por grande parte da imprensa à condição de bicho papão do mercado e o time a ser batido. Alguns até chegaram ao extremo de apelidar o time de "Real Madrid das Américas". Poucas foram as reflexões acerca da efetividade das contratações para a formação de um time equilibrado e forte. Ou seja, característica de jogador, filosofia tática, calendário de competições, balanço no uso de titulares e reservas, por exemplo.
Já o Flamengo sofre há muitos anos com diretorias acovardadas, que cedem facilmente à pressão de torcedores, e isso não é novidade para quem acompanha o clube. Atletas são queimados rotineiramente, contratações são alavancadas sem critério algum e técnicos são trocados após derrotas difíceis de engolir quando a torcida grita mais forte. Muito difícil um clube enorme como o rubro-negro carioca formar uma grande e sólida equipe nestas condições. É preciso pulso firme para dar respaldo aos atletas e permitir que o técnico tenha tempo para desenvolver um time vencedor.
No futebol, como se sabe, tudo pode acontecer. Corinthians e Grêmio, equipes que hoje estão apresentando um bom jogo e destaque, podem sofrer com contusões, transferências e suspensões e cair de nível. Assim como Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro podem engrenar durante o andamento do Brasileirão. De qualquer forma, porém, é preciso mais seriedade àqueles que tem como responsabilidade informar ao torcedor. Análises apaixonadas cabem apenas àqueles que se sentam nas arquibancadas, não é o papel do jornalista esportivo.



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