Depois das maiores vitórias de sua história nos decênios de 1990-99 e 2000-2009, Tricolor enfrenta jejum de conquistas na década atual.
Desde o início dos anos 1990 até o meio da década passada, o São Paulo Futebol Clube era considerado um "exemplo de gestão" para os outros clubes. O termo é como analistas costumam elogiar os times vencedores em determinado período. Defeitos são bem mais visíveis em períodos de crise, especialmente aos menos atentos. Acontece que os dois decênios entre 1990 e 2009 foram o período mais vencedor da história do São Paulo FC. Na década atual, o ritmo de conquistas é o oposto. Em oito anos, somente a solitária Copa Sul Americana de 2012.
Mesmo com o maior ídolo da história do clube como técnico, está ficando difícil para o torcedor Tricolor aguentar a fase com muitas derrotas e um futebol sofrível. Pior ainda é aguentar o sucesso dos rivais que tem vencido campeonatos constantemente nesta década. Mas quais são as razões de tanto insucesso são-paulino?
Desde o início dos anos 1990 até o meio da década passada, o São Paulo Futebol Clube era considerado um "exemplo de gestão" para os outros clubes. O termo é como analistas costumam elogiar os times vencedores em determinado período. Defeitos são bem mais visíveis em períodos de crise, especialmente aos menos atentos. Acontece que os dois decênios entre 1990 e 2009 foram o período mais vencedor da história do São Paulo FC. Na década atual, o ritmo de conquistas é o oposto. Em oito anos, somente a solitária Copa Sul Americana de 2012.
Mesmo com o maior ídolo da história do clube como técnico, está ficando difícil para o torcedor Tricolor aguentar a fase com muitas derrotas e um futebol sofrível. Pior ainda é aguentar o sucesso dos rivais que tem vencido campeonatos constantemente nesta década. Mas quais são as razões de tanto insucesso são-paulino?
Rogério Ceni é "o cara" para fazer São Paulo retomar o caminho dos títulos?
Como falou o técnico tricolor durante a entrevista coletiva, após o empate ante o Fluminense, em 25/06, é importante separar a imagem do jogador, ídolo, vencedor da figura do técnico, iniciante, inexperiente e sem conquistas. Francamente, isso é impossível. Entender que hoje ele atua na chefia do comando técnico do time, é fácil. Mas desassociar a imagem que ficou na cabeça do imaginário futebolístico nacional durante 25 anos e 1238 jogos no gol do São Paulo, não dá. Se Rogério Ceni tivesse iniciado a carreira em qualquer outro clube do mundo, seria bem mais fácil separar as coisas.
Acontece que ele escolheu justamente o clube que defendeu durante toda a carreira profissional com enorme sucesso. Até o mais equilibrado dos amantes do futebol não deixaria de escorregar em algum momento e associar o técnico ao goleiro, ao líder, ao vencedor. Isso não deve, evidentemente, influenciar na análise do desempenho do técnico, mas faz um peso danado. Ou alguém duvida que outro treinador, que não fosse o Mito, estaria procurando emprego a esta altura dos acontecimentos?
Acontece que ele escolheu justamente o clube que defendeu durante toda a carreira profissional com enorme sucesso. Até o mais equilibrado dos amantes do futebol não deixaria de escorregar em algum momento e associar o técnico ao goleiro, ao líder, ao vencedor. Isso não deve, evidentemente, influenciar na análise do desempenho do técnico, mas faz um peso danado. Ou alguém duvida que outro treinador, que não fosse o Mito, estaria procurando emprego a esta altura dos acontecimentos?
Rogério tem um projeto para o São Paulo Futebol Clube. Se vai conseguir executá-lo ou não, é outra história. É preciso salientar que ele, vencedor que foi durante toda a carreira, não entrou nesta barca por acaso. Tem amor pela instituição e quer faze-la voltar ao caminho das vitórias de Telê Santana, Paulo Autuori e Muricy Ramalho. Apesar do discurso pronto de que é um técnico comum e quer assim ser tratado, Ceni sabe que só continua no cargo por conta da folha corrida no clube. Boa intenção ele tem, mas disso o inferno também está cheio. Ceni não é técnico, está técnico. Me parece mais um caso de paixão pela instituição. Ele possui um plano para transformar o futebol são-paulino, mas tenho muitas dúvidas se será capaz de executa-lo.
Gestão do São Paulo vai segurar ou puxar o tapete de Rogério Ceni?
A diretoria do São Paulo está em um beco sem saída. Por conta da enorme adoração que a torcida tem pelo técnico, a revolta pelos maus resultados está sendo direcionada aos gestores do clube. Se por um lado isso facilita para que o Tricolor consiga dar mais jogos ao ex-goleiro como comandante, por outro, fica cada vez mais difícil demitir Rogério Ceni, mesmo caso novas derrotas apareçam.
Acredito que Ceni só irá cair caso o time esteja seriamente ameaçado pelo rebaixamento. Do contrário, mesmo terminando o campeonato em uma colocação ruim, deve continuar e tentar melhorar para a próxima temporada. Mas não me surpreenderei se o ambiente turbulento na política Tricolor faze-lo sair por muito menos.
Um "abacaxi" chamado Cícero Pompeu de Toledo
Há quem diga que o São Paulo só vai começar a lucrar com estádio se demolir o Morumbi e erguer em seu lugar uma nova casa totalmente modernizada. Algo impossível de o clube fazer sem um forte parceiro ou financiador. Qualquer projeto de modernização do Cícero Pompeu de Toledo mantendo a estrutura atual, além de muito custoso, não irá deixar o estádio nem sequer perto das arenas de Corinthians e Palmeiras.
A torcida são-paulina, que obviamente não está contente com a fase do time, não ajuda com as bilheterias e não são poucos os jogos com prejuízo. Bilheterias negativas, arquibancadas vazias em boa parte das partidas e custos enormes de manutenção são situações que o clube vive no dia a dia. Depois que "perdeu" a maioria dos shows para o Allianz Parque e não tem mais partidas de Corinthians, Palmeiras e Santos como mandantes, a grana diminuiu e o estádio se tornou um verdadeiro abacaxi.
Embora o discurso da diretoria seja de que o Morumbi é um estádio que se paga, basta olhar os detalhes para saber que a situação é outra. Sendo obrigado a cobrir os prejuízos constantes do estádio, sobra menos dinheiro para o futebol. Esta é uma questão que o São Paulo terá de resolver cedo ou tarde. Chegará um momento em que o Morumbi se tornará insustentável.
Cotia, máquina de dinheiro e salvadora da pátria Tricolor
Que o São Paulo é um dos clubes que mais revela jogadores no Brasil, não é novidade. O problema é que a grande maioria destes jovens pouco ou nada atuam na equipe principal. Tornou-se hábito nos últimos anos os meninos da base saírem do São Paulo com passagens de curto prazo no time de cima. Isso quando jogam. É uma necessidade são-paulina: lucrar com vendas de jogadores todos os anos para fechar o caixa combalido no final do ano. Causa preocupação ao torcedor, no entanto, que esta prática se torne lugar comum.
Recentemente, ao ser perguntado sobre as negociações, um dos diretores do clube, Vinicius Pinotti, tentou 'levar vantagem' ante o rival Corinthians, ao afirmar que a vitrine são-paulina é melhor. É assim que dirigentes vêem o São Paulo há alguns anos, como uma mera camisa expositora. Onde os clubes do mundo todo vem buscar as principais promessas quando bem entendem. Aconteceu com Kaká, com Lucas, com Casemiro, com David Neres, com Lyanco e muitos outros. Recentemente, Luís Araújo jovem da base com destaque na equipe de Rogério Ceni, foi mais um vendido por alguns trocados.
O fenômeno das negociações não é exclusivo do São Paulo, acontece com todos os clubes brasileiros. Mas ver essa questão como algo positivo e se orgulhar dela demonstra a pequenez dos dirigentes são-paulinos atuais.
Futuro na temporada
Não esperem nenhuma reviravolta para o São Paulo no Campeonato Brasileiro deste ano. Em 16º lugar com 11 pontos após dez jogos, o São Paulo não deve conseguir grandes coisas. Quinze pontos de diferença para a ponta é muito, especialmente pelo futebol apresentado pelo time até aqui. Particularmente, acredito que será um milagre o São Paulo conseguir uma vaga na Libertadores do ano que vem. Título, nem pensar. Não vejo no elenco e nem no time de Rogério Ceni capacidade para disputar a taça do Brasileirão nesta temporada.
Não estou torcendo contra ou desejando o mal do São Paulo, mas basta ver o time atual jogando para perceber que não faz frente às equipes que estão na ponta da tabela. É uma equipe boa mas ainda precisa melhorar muito para voltar ao caminho das conquistas. O trabalho do São Paulo para o ano que vem deve começar agora. Usar o Brasileiro para separar o joio do trigo, mandar embora quem não presta e deixar o elenco redondo para 2018. Quem sabe no ano que vem, com Ceni ou com outro profissional no comando, o São Paulo pode começar a reconstruir a trajetória de títulos e vitórias marcantes das décadas passadas.

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