O olho grande de Pablo e o adeus ao Corinthians


Zagueiro que jogou apenas uma temporada, sai do Corinthians pela porta dos fundos e fica marcado como atleta que só quer dinheiro.


Quem era Pablo antes de assinar contrato e defender as cores do Sport Club Corinthians Paulista? A maioria esmagadora dos torcedores e entendidos de futebol sequer sabia de sua existência. Com 26 anos, o zagueiro havia perambulado por clubes pequenos e médios do Brasil e posteriormente no Bordeaux da França, mas pouco havia jogado. Neste ano, vestiu pela primeira vez na carreira a camisa de um clube gigante e o futebol do defensor ganhou destaque. Campeão paulista e brasileiro, o olho cresceu, quis ganhar muito mais do que podia, e o Corinthians não aceitou.

Há pelo menos seis meses o clube de Pq. S. Jorge tenta renovar o contrato de Pablo. Idas e vindas nas negociações deixaram o zagueiro mais perto em alguns momentos e mais longe em outros. Os representantes do jogador, ávidos por faturar mais, saíram oferecendo ele a outros clubes. Palmeiras, Flamengo e quem mais estivesse disposto pagar a bolada que ele queria. Após ter negada a participação no jogo de hoje, ante o Atlético Mineiro, quando o Corinthians receberá a taça do Brasileirão, Pablo declarou que "deu a vida pelo Corinthians". Mais arrogante e alienado, impossível.

O que o jogador não percebe é que viu o clube apenas como uma vitrine. Um local onde pode mostrar seu trabalho e usar como trampolim para novos contratos. No frigir dos ovos é isso. Claro que ele tem direito de pedir o salário que quiser. Mas não tem o direito de se sentir menosprezado ou dizer que o clube foi ingrato. O Corinthians cumpriu com tudo o que estava acordado em contrato. Pagou o salário, deu as melhores condições de trabalho, deu projeção nacional e mundial ao ilustre desconhecido Pablo. Então, se resolvermos fazer a conta, o Corinthians deu muito mais a Pablo do que o contrário.

No futebol atual, está difícil lidar com egos cada vez maiores. Os meninos da base já chegam ao profissional com empresários, mordomias, direitos fracionados, salários milionários. Querem fazer de tudo para chegar ao patamar de seus ídolos que atuam na Champions League. Encaram o Corinthians, o Flamengo, São Paulo, Palmeiras e outros clubes apenas como trampolins para chegar ao exterior. Um "zé ninguém" como Pablo, que era terceiro ou quarto reserva na França, de repente faz uma boa temporada em um clube da grandeza do Corinthians e fica pensando que está em um patamar de Aldair, Luís Pereira, Gamarra. Mas ele é só o Pablo... 

Grande parte dos atletas de futebol hoje despreza a força e a popularidade que os clubes nacionais tem. Pulam de galho em galho, a cada semestre vestem uma camisa diferente. Quando se acertam em algum time, logo arregalam os olhos para as verdinhas de dólar e euro. Parte desta situação também é causada pelos próprios times que contratam sem planejamento, na maioria das vezes pensando apenas no curto prazo. O caso de Pablo é só mais um que ilustra bem este cenário. O zagueiro que caiu no gosto da torcida e fez uma grande temporada no alvinegro, sairá do clube pela porta dos fundos.

Mas isso não é culpa do Corinthians, que tentou de tudo para mantê-lo. A responsabilidade é todinha de Pablo e de seus representantes, que olharam apenas ao dinheiro, esquecendo-se de que na vida (e também na vida de um atleta), dinheiro não é tudo.

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