Sou um homem antiquado, admito. Podem me chamar de velho, antigo ou até de ultrapassado. Sou daquele tipo que não troca de opinião como quem troca de camiseta. Acompanho futebol pelo menos há 30 anos, sou admirador do esporte, da origem ligada aos operários até a popularização global.
Não acredito que o nobre esporte bretão tenha que ser moderno em um sentido mais higienista da palavra. Que a disputa esportiva pura e simples do onze contra onze deva ser mediada por outra régua que não a dos árbitros que estão dentro do jogo. Muito menos no dia seguinte, em tribunais, em denúncias, revanchismo, clubismo, pressão midiática.
Tem de ser como sempre foi. Resolvido dentro do campo, em noventa minutos, entre o primeiro e o último trilar do apito, enquanto os holofotes estiverem acesos e os fanáticos de olhos arregalados até o último suspiro da bola rolando. Como na pelada de rua: quem está fora não apita.
Na minha visão quem manda no jogo é o juiz. Tenebroso, asqueroso, safado, ladrão, ordinário, bicha, entre outros adjetivos... Que, não por acaso, às vezes veste preto, cor de luto. Pois sempre está roubando o time de alguém, desde que o apito soou pela primeira vez em um campo de bola.
Ele tem que mediar 22 marmanjos no limite das quatro linhas, sob os olhares de dezenas de milhares nas arquibancada e milhões por televisões, celulares, computadores e rádios de pilha pelo mundo. E nem profissional o dito cujo é. Exerce outras atividades, não pode se dar ao luxo de se dedicar só ao futebol.
Muito fácil é critica-lo sentado no sofá ou nas cabines com ar condicionado importado e maquiagem na cara de um estúdio de TV. Eu quero ver quem tem coragem de ir lá, no olho do furacão, de apito na boca e roupa amarela. Alvo fácil. Não que não devam ser criticados quando erram, mas o peso da responsabilidade imputada tem sido exagerado.
Os coitados são massacrados por todos, principalmente por quem perdeu. São culpados de todos os erros da partida. Se o técnico escalou errado, o zagueiro furou, o lateral não marcou, o centroavante chutou para fora, o goleiro levou um frango ou o dirigente contratou mal; é culpa do juiz.
Está chato acompanhar as coberturas midiáticas, chato mesmo. Noventa por cento do tempo falando sobre erros de arbitragem, provocações entre jogadores, fofocas, memes e outras amenidades. Repetem os relays 359 mil vezes, até mais que os gols.
O jogo de futebol, a coisa mais importante, fica de lado. Pouca análise tática, de desempenho, pouco destaque aos personagens de cada jornada, pouquíssimo respeito ao que os profissionais falam. Os responsáveis diretos por fazer os gols ou evita-los. Normalmente eles tem um brilho instantâneo e logo ficam para atrás na ordem dos assuntos do dia.
Os coitados são massacrados por todos, principalmente por quem perdeu. São culpados de todos os erros da partida. Se o técnico escalou errado, o zagueiro furou, o lateral não marcou, o centroavante chutou para fora, o goleiro levou um frango ou o dirigente contratou mal; é culpa do juiz.
Está chato acompanhar as coberturas midiáticas, chato mesmo. Noventa por cento do tempo falando sobre erros de arbitragem, provocações entre jogadores, fofocas, memes e outras amenidades. Repetem os relays 359 mil vezes, até mais que os gols.
O jogo de futebol, a coisa mais importante, fica de lado. Pouca análise tática, de desempenho, pouco destaque aos personagens de cada jornada, pouquíssimo respeito ao que os profissionais falam. Os responsáveis diretos por fazer os gols ou evita-los. Normalmente eles tem um brilho instantâneo e logo ficam para atrás na ordem dos assuntos do dia.
Isso não me agrada, pois para mim vale o que foi escrito pela bola. Nada mais que isso.
Porque o futebol não tem justiça. Se a sociedade não consegue resolver os próprios conflitos de caráter e mau uso da coisa pública, não será o jogo de bola a salvação nacional. É o esporte mais humano de todos. Interpretativo, injusto, falho, subjetivo, preconceituoso, apelativo, apaixonante, louco, democrático, elitista, e quantos adjetivos houver. É perfeito assim, imperfeito. Cheio de defeitos e qualidades, igualzinho cada um de nós e aqueles a quem amamos. Talvez por isso seja tão popular.
Também entendo que o futebol não é para moralistas de bunda quadrada ou engomados cagando regras, paralisando o jogo a cada dúvida sobre algum lance. Nem para comentaristas de replay, que não conseguem enxergar o que acontece na dinâmica do jogo.
Também entendo que o futebol não é para moralistas de bunda quadrada ou engomados cagando regras, paralisando o jogo a cada dúvida sobre algum lance. Nem para comentaristas de replay, que não conseguem enxergar o que acontece na dinâmica do jogo.
Videogame não ensina bola e preferência esportiva não tem nada a ver com traços de caráter, orientação sexual, política ou social. Quem pensa assim é um grande babaca. Que não sabe perder, fica magoado com a zoeira e não consegue admitir que o time foi mal, muito menos parabenizar quem venceu.
Para estes o esporte deveria ser outro. Ou talvez nem de esporte gostem.
Só peço, por favor, que respeitem o futebol e deixem a opinião para quem acompanha o assunto.

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