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| Roberto de Andrade se despede da presidência do Corinthians em fevereiro. (Foto: Marcelo Machado/Agência Corinthians) |
Presidente corintiano teve mandato vencedor, mas é enxovalhado por boa parte da torcida nas redes sociais.
Por mais incrível que pareça, a torcida que mais tem motivos para comemorar no estado de São Paulo tem destilado manifestações de insatisfação contra a administração do clube. Pipocam pelas redes sociais o descontentamento de uma parte dos corintianos reclamando da falta de contratações e da incompetente gestão de Roberto de Andrade à frente do clube.
Não sou advogado de defesa do presidente alvinegro, mas vamos aos fatos:
Sob o comando do atual presidente, o Corinthians acumula dois títulos brasileiros e um Paulistão em apenas três anos.
Na temporada 2017, ao contrario do que ocorreu em 2015 e 2016, o Corinthians não atrasou os salários de nenhum jogador ao longo do ano (salários, não premiações).
Em 2017, o Corinthians deu ainda mais espaço para a base, com a ascensão de jovens como Guilherme Arana, Maycon, Pedro Henrique, Léo Príncipe, Caique França, Léo Santos, entre outros.
Ainda na mesma temporada, percebe-se um departamento de futebol corintiano totalmente afinado, estratégico, blindado e metódico; características que foram fundamentais nas conquistas do ano.
Lembremos que com a saída de Tite para a Seleção Brasileira, no final de 2015, a comissão técnica corintiana foi praticamente desmontada com a saída de vários profissionais. Cabe também a Roberto de Andrade o mérito de reconstruir a equipe técnica do clube em tão pouco tempo.
Com relação à contratações, o que se percebe nos últimos anos é que o Corinthians tem um trabalho sólido de monitoramento de jogadores. Só tem trazido nomes que se encaixam na filosofia de jogo do clube. Além disso contrata com inteligência, gastando pouco ou aproveitando oportunidades de jogadores a custo zero, como foi com Jô.
Historicamente, o alvinegro de Pq. S. Jorge não tem tradição de se dar bem quando contrata muitos nomes de destaque. Não é um clube acostumado a montar grandes esquadrões, mas sim que prima pela montagem de equipes fortes coletivamente e com a participação efetiva de destaques da base. Exatamente o que fez Roberto de Andrade em 2017.
Muitos reclamam também da falta de patrocínio principal na camisa. Oras, quem além do Palmeiras tem um super patrocínio hoje no Brasil? Ninguém. A dificuldade e a incerteza no cenário econômico são as principais causas da falta de ofertas, não a incompetência administrativa.
Foram três anos de acertos que deram resultado dentro de campo, com conquistas, remontagem de um departamento de futebol e carta branca a um técnico com quase 10 anos de casa. Erros houveram sim, pois ninguém é perfeito. Mas na hora de pesar a balança, o Corinthians fez muito com pouco.
Afinal outros clubes encheram seus elencos de nomes de destaque, jogadores caros, técnicos internacionais e, no final das contas, terminaram o ano passando vergonha. Que o digam Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro.
No final das contas, chamar Roberto de Andrade de incompetente só demonstra a falta de entendimento da realidade do futebol atual. O presidente que deixará o cargo no inicio de fevereiro tem lá seus defeitos, que não são poucos. Porém, a avaliação precisa ser mais justa. Muito menos com o coração e mais com a razão.

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