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| Divulgação Flamengo |
Mengão encantou o Brasil com futebol ofensivo, plástico e derrubando crenças estabelecidas há um bom tempo no futebol nacional.
Campeão brasileiro e da América, o futebol do Flamengo encanta a todos. Não há dúvidas que a presença de Jorge Jesus foi fundamental para que o time ganhasse força na reta final da temporada. Só que foi preciso quebrar alguns tabus arraigados na cultura futebolística nacional há muito tempo. Foi preciso que profissionais estrangeiros com personalidade chegassem e implantassem o seu pensamento futebolístico, e isso fez uma grande diferença. Jesus e Sampaoli não tiveram medo de implantar o que pensam e como veem futebol. E isso fortaleceu demais o campeonato nacional. Confira quais.
O mito de poupar jogadores
Um dos maiores mitos quebrados pelo Flamengo foi evitar poupar jogadores em meio a maratonas decisivas. É praxe no futebol brasileiro acreditarmos que jogadores não aguentam maratonas e cansamos de ver times que disputam competições em paralelo desfigurarem suas escalações em nome do bem estar dos principais jogadores. O Palmeiras é o maior exemplo disso neste ano. Montou quase três times e termina a temporada sem nenhuma taça.
O mito do excesso de contratações
Ao invés do famoso "pacotão de reforços", o Flamengo optou por contratações pontuais de acordo com a necessidade do elenco. Precisava melhorar as laterais, trouxe dois laterais para resolver. Tinha problemas no meio de campo, trouxe Gérson e arrumou a casa.
Só é possível fazer isso quando existe organização dentro do clube e quando todos (comissão técnica e diretoria) olham para o mesmo lado.
O mito do volante brucutu
É muito comum vermos nos times brasileiros ao menos um dos volantes jogando do meio de campo para trás. Com a função de proteger a defesa e fazer a cobertura primária dos laterais, não é raro que se transforme até em um terceiro zagueiro dependendo das circunstâncias.
Jorge Jesus fez de William Aarão um volante moderno que defende sim mas que pisa na área e faz gols. Sem esquecer da função principal, mas sem prender o jogador a um pensamento somente defensivo.
O mito da obediência tática
Já ouvimos falar muito que o jogador brasileiro tem deficiências táticas. Exatamente por isso, nossos técnicos ao longo dos anos insistiram em esquemas sem flexibilidade e valorizavam muito os chamados "jogadores táticos" em detrimento, muitas vezes, da capacidade técnica individual.
No Flamengo de Jorge Jesus, o que se vê muitas vezes, especialmente do meio para a frente, é uma postura tática flexível. Em algumas partidas fica muito visível como os jogadores trocam de posicionamento ou de lado durante o jogo. Jogar assim exige um comprometimento de pressão quando se perde a bola para evitar surpresas. E o Flamengo faz isso muito bem.
O mito da intensidade
Nos últimos anos a expressão intensidade se tornou parte do jargão futebolístico, especialmente por conta do atual técnico da Seleção Brasileira, Tite. Mas essa intensidade de Tite e de outros técnicos brasileiros sempre teve conotação mais defensiva. Correr mais que o adversário, manter o nível de atuação até o final, não desobedecer a organização tática, etc.
A intensidade do Flamengo é diferente. Tem a ver com a fome de vencer sempre, a fome por gols, a fome ofensiva. O time do Mister é intenso ofensivamente. Não para de procurar o gol, não para de atacar. Pouco importa se está vencendo por 1 ou por 5 a 0.
A intensidade do Flamengo é diferente. Tem a ver com a fome de vencer sempre, a fome por gols, a fome ofensiva. O time do Mister é intenso ofensivamente. Não para de procurar o gol, não para de atacar. Pouco importa se está vencendo por 1 ou por 5 a 0.
O mito do futebol feio de resultado
De todos os mitos que o Flamengo de Jorge Jesus quebrou, este foi o mais significativo e dá para se explicar em poucas palavras: É possível vencer jogando bonito, é possível vencer sem medo, jogando no ataque.
Que seja 2019 um ano de mudança, onde vamos esquecer aquele futebol de resultados, onde o time faz um gol e recua, onde os times são reativos, dão a bola ao adversário e jogam fechadinhos no contra-ataque. Ficamos tanto tempo vendo isso que achamos até normal.
O mito do blá-blá-blá nas coletivas
As entrevistas de Jorge Jesus se mostraram diferentes dos técnicos brasileiros (diga-se de passagem, o mesmo acontece com Jorge Sampaoli). O técnico analisa o jogo com honestidade, sem meias palavras e sem fazer média. Diz o que tem de ser dito, trata o torcedor com respeito, com maturidade.
O técnico português, inclusive, não se escondeu ao afirmar que está sendo tratado com uma agressividade velada por parte dos profissionais brasileiros, o que fez muito bem. Infelizmente há técnicos no Brasil que não se atualizam e não aceitam que profissionais de fora cheguem para ocupar cargos em grandes clubes.

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