Fernando Diniz precisa de Tempo

Foto: Divulgação São Paulo FC

Constantes mudanças de comando não ajudaram o São Paulo nos últimos anos. O jejum de títulos e desvantagem contra rivais perturbam o torcedor

Fernando Diniz é o 17º técnico a dirigir o São Paulo em dez anos. Uma rotina de descontinuidade nos trabalhos que não reverteu em resultados para o clube do Morumbi.  Uma dura fila de títulos nacionais desde 2009 e internacionais desde 2012 cria uma pressão que aumenta ano após ano de jejum. O ambiente político andará agitado com eleições para um novo presidente a partir do ano que vem. O vestiário são-paulino precisará ser blindado durante o Campeonato Brasileiro. Só assim o clube conseguirá realizar boa campanha. Um balanço de resultados negativos pode abreviar a passagem do técnico e fazer com que o São Paulo volte à rotina de tira treinador, bota treinador.

A campanha do São Paulo no Campeonato Paulista foi decepcionante para o torcedor. Eliminado pelo Mirassol, equipe que perdeu 18 jogadores na paralisação do torneio e ainda assim eliminou o Tricolor Paulista em pleno Morumbi. Nem mesmo o são-paulino mais pessimista poderia imaginar um roteiro como este para a equipe de Fernando Diniz. Na primeira fase, o São Paulo liderou o grupo C e teve o melhor ataque no geral do Paulistão. O problema é a defesa, que sofreu 14 gols em 13 partidas. Além disso, jogadores de quem se esperava muito, estão entregando pouco, principalmente Alexandre Pato e Hernanes. O clube ainda teve a saída de Anthony, uma das boas revelações da base que se destacava no time principal.

O fato é que pesa sobre Diniz e os jogadores um jejum de títulos que incomoda bastante o exigente torcedor tricolor. Ainda que tenha conquistado a Copa Sul-Americana de 2012, o São Paulo completou 15 anos sem ganhar um Campeonato Paulista e dez anos sem ganhar um Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, Corinthians, Palmeiras e Santos dividem as taças. De 2012 em diante, o alvinegro de Pq. São Jorge venceu quatro Paulistões, dois Brasileiros e uma Recopa Sul-Americana (contra o próprio São Paulo). O Palmeiras faturou dois Brasileirões, uma Copa do Brasil, uma Série B e um Paulistão. Já o Santos venceu duas vezes o estadual. 

Em um clube gigantesco como o Tricolor do Morumbi, ficar tanto tempo sem ganhar nada é algo inaceitável. Essa pressão não é culpa de Fernando Diniz ou dos atuais jogadores, mas ela entra em campo em cada jogo, a cada campeonato. Enquanto o clube não voltar ao caminho dos títulos, serão eles que carregarão o peso do jejum nas costas. O torcedor do São Paulo quer vitórias e títulos. Para ele pouco importará se o time apresentar um bom futebol sem disputar em pé de igualdade contra as maiores forças do país. E isso Fernando Diniz precisa levar em boa conta: não basta jogar bonito, em clube grande é preciso vencer. E ganhar clássicos é ainda mais importante.

A desvantagem contra os rivais nos últimos anos é fator incomodante. Dos últimos 60 clássicos, o São Paulo tem desvantagem ante todos os rivais. Foram 15 vitórias do Tricolor Paulista, 17 empates e 28 derrotas. Contra o Corinthians, quatro vitórias do São Paulo, oito empates e oito derrotas. Frente o Peixe, o confronto mais equilibrado: sete vitórias são-paulinas, quatro empates e nove derrotas. O rival que mais tem castigado o time do Morumbi é o Palmeiras. Nas últimas 20 partidas, o Verdão tem onze triunfos contra apenas quatro do São Paulo e cinco empates. 

Fernando Diniz precisa de tempo. Futebol se faz com tempo, repetição e organização. Demiti-lo durante o Brasileiro, salvo em uma campanha de tragédia (tipo, Cruzeiro 2019), será um erro. O São Paulo é muito grande para ficar tanto tempo sem ganhar, mas não vai ganhar de qualquer jeito. É preciso apostar em um trabalho, como apostou em Telê Santana.  Após a imprensa cair de pau no "Pé frio", após derrota na final do Campeonato Brasileiro para o Corinthians em 1990, o Tricolor Paulista bancou e o resultado todos já sabem: dez títulos em quatro anos, incluindo o bicampeonato da Libertadores e mundial. É preciso dar tempo ao compatriota mineiro do Mestre Telê, que por coincidência, também tem gosto pelo futebol bonito e bem jogado. 

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